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economia cultural criativa

Fundada em 1922, a Escola de Frankfurt, que teve como principal fundador Max Horkheimer, tornou-se célebre pelos seus estudos sobre a cultura de massas e indústrias culturais, tendo por base a sua Teoria Crítica.

Segundo o seu fundador e Theodor Adorno, uma sociedade de economia capitalista levaria a uma desintegração social e à alienação dos indivíduos. Assim, para controlar o aparecimento destes fenómenos e fortalecer a coesão na sociedade, seria necessária a criação de instituições capazes de orientar as ações individuais e manter os indivíduos integrados. Nasceram assim as indústrias culturais.

Legitimadas pelo sistema capitalista, estas teriam como principais funções orientar a ação dos consumidores em direção à inércia e ao conformismo. Ao adotarem esta postura, os indivíduos deixariam de ser capazes de ser autónomos e saber julgar e decidir conscientemente, sendo assim uma garantia para a fortificação e manutenção do sistema capitalista.

Esta perspetiva de influência externa nas ações individuais tem inspiração nas ideias de Karl Marx, outro dos filhos da Escola de Frankfurt.

O autor alemão questionava-se sobre as formas do homem poder recuperar o controlo das suas ações num sistema que ele próprio legitimou e ajudou a construir, tendo como pressuposto que o indivíduo não é um corpo ativo e reativo da sociedade, mas sim sujeito dela.

De acordo com Levine (1997:2002), Marx concebe os processos naturais como “processos de determinação externa que não permitiam a intervenção da vontade humana”. A aspiração de Marx seria “ver a humanidade ingressar numa ordem em que a autodeterminação substituísse essa determinação natural”.

A ressignificação desses processos naturais vieram determinar a função dos bens materiais, que deixam de ser vistos como essenciais ás necessidades humanas, mas têm um uso também social, como por exemplo, a socialização.

Os indivíduos, ao terem bens simbólicos comuns, reúnem-se devido a necessidades ou interesses específicos, sejam reunião económicas ou religiosas, entre outras e, segundo Simmel (2006), todas essas formas de socialização são acompanhadas por um sentimento de satisfação, uma vez que o indivíduo se sente valorizado e integrado socialmente.

Porém, ao existir um sentimento de pertença fruto da semelhança entre bens simbólicos por parte de cada indivíduo, a contemporaneidade marca um período em que onde os agentes sociais procuram afirmar as suas subjetividades, sendo possível a sua integração e desintegração constantes de certos grupos sociais ao longo do tempo, distinguindo-se um do outro.

O pressuposto que o indivíduo não é um corpo ativo e reativo da sociedade, mas sim sujeito dela, não é mais visto desta forma contraposta, mas sim, são princípios que estão articulados e atuam em relação de um a outro.

A economia criativa é um conceito que surge fruto exatamente da espontaneidade, da diferença, da capacidade do individuo se distinguir e criar valor. De acordo com Machado (2009:92), existe uma tendência em substituir o termo indústria cultural, cunhado pela Escola de Frankfurt, por economia criativa ou economia da cultura, ‘’de forma a 1) afastar a dimensão negativa e crítica encerrada no conceito analítico de indústria cultural; 2) encontrar uma denominação que dê conta de uma série de atividades não contempladas pelo conceito de indústria cultural.’’

De acordo com o documento resultante da 33ª reunião da Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, a diversidade cultural é relevada ao ser considerada uma característica fundamental da humanidade, uma vez que gera novos potenciais criativos, aumentando a gama de possibilidades e valores humanos, contribuindo para o desenvolvimento sustentável das sociedades atuais e vindouras.

O mesmo relatório aponta ainda à relação entre a economia e cultura e ressalva a importância de explicar a sua natureza dual: ‘’ as atividades, bens e serviços culturais possuem uma dupla natureza, tanto económica quanto cultural, uma vez que são portadores de identidades, valores e significados, não devendo, portanto, ser tratados como se tivessem valor meramente comercial’’,

A questão da crescente globalização e os seus impactos na cultura são também abordados, ao ressalvar que é de maior importância saber controlar os riscos potenciais dos desequilíbrios entre os países ricos e pobres, uma vez que o desenvolvimento tecnológico tem potenciais incríveis de comunicação global, mas pode potenciar uma desarmonia entre as capacidades de cada território.

Referências: Machado (2009:88)

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