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bo burnham: o riso é o melhor remédio

Este é Bo Burnham. Tem 22 anos. E parece-se com o resultado genético de uma girafa a ter sexo com Ellen DeGeneres. Tem uma cabeça gigante e mamilos pequenos. Isolou-se durante os últimos 5 anos em busca de comédia e entretanto perdeu a noção da realidade.

Esta seria uma introdução, no mínimo, ridícula para se fazer de qualquer artista que aqui se apresenta. No entanto, o parágrafo acima faz parte da Intro da sua performance what. de 2013 (vídeo em baixo) que o próprio escreveu.

 

 

Bo foi das primeiras estrelas virais do Youtube. Em 2006 começou por fazer upload das suas músicas de comédia de forma a mostrar ao seu irmão que vivia fora de casa enquanto estudava. A popularidade foi tanta que a Comedy Central ofereceu-lhe um contrato e três espetáculos de stand-up para os próximos 10 anos.

No entanto, é no universo do ridículo que Bo Burnham age para se manifestar contra a seriedade do mundo. Tópicos como depressão, ansiedade, inexperiência emocional, intolerância, fanatismo ou a forma como desvalorizamos a importância de gostarmos de nós próprios. Como o próprio faz questão de refletir em a prayer/how do we fix africa?, composição feita para WORDS WORDS WORDS (2010) – a sua primeira performance em palco -, o riso é o melhor remédio a par do… próprio remédio.

Neste espetáculo sobressai a canção ”Art is Dead” que é muito mais que um conjunto de rimas e piadas fáceis. É uma reflexão sobre o estado do mundo da comédia e entretenimento e como a comercialização da arte monopolizou a expressão criativa. Cada vez que interpreta Art is Dead em palco, Bo afirma que esta música o ajuda a dormir. Apesar de ser mais uma piada num mar de tantas outras, não é uma afirmação inocente, a catarse acontece quando ele põe as suas ansiedades e frustrações no seu processo artístico de forma a libertar-se de todo esse mal.

A sua terceira performance em palco – Make Happy – aconteceu em 2016 e foi gravada para a Netflix. Comparando com WORDS WORDS WORDS e what., é um espetáculo sobre como atuar. Nas duas horas em palco, Bo encarna uma persona arrogante com a audiência, alternando entre o insulto e a comédia crua num espetáculo meticulosamente coreografado repleto de efeitos sonoros e luminosos, incorporando técnicas teatrais e música ao vivo.

Hoje Bo tem 27 anos e a sua persona artística tornou-se cada vez mais reflexiva e eclética: já não é somente um humorista de palco, mas também escritor e diretor de cinema. Ainda este ano estreou Eight Grade, um filme sobre a influência das redes sociais nas vidas de millenials de 13 anos.

 

Mas engane-se quem pensa que o público-alvo deste filme são somente as crianças ou os jovens. A amplitude de Eight Grade passa não pelas idades, mas sim pelo 1,1 mil milhões de pessoas que no mundo inteiro sofrem ou já manifestaram sintomas de ansiedade.

A narrativa do filme é sobre uma rapariga tímida que foi votada como a mais bem comportada da sua turma – um rótulo que tinha na minha escola secundária, que é bastante cruel e as pessoas não entendem que as pessoas introvertidas não se identificam como envergonhadas na verdade. A introversão não é querer esconder-se num canto sem falar. Introversão é querer falar sempre e nunca conseguir. Também isso é ansiedade.

 

— Bo Burnham, sobre Eight Grade.

O filme não é auto-biográfico, no entanto, muita da ação de Eight Grade pode comparar-se facilmente ao progresso artístico de Bo Burnham que, tal como Kayla, a personagem principal do filme tenta libertar-se de um sentimento de ansiedade e introversão publicando vídeos no Youtube no quais tenta explicar o que é ter distúrbios mentais que não lhe permitem seguir uma vida normal mas que, no fundo, é ao aceitar esses problemas, tanto para si mesma, como para os outros entenderem.

Parte da experiência de ser-se jovem – estar vivo, ser alguém – é o equilíbrio entre as ideias que nos passam no cérebro e a forma como as expomos cá fora. Para Bo Burnham, essa pode ser uma tarefa bastante árdua: ”também foi complicado para mim, mas não desisti”.

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