fbpx

her: consciência, corpo e identidade

Her (2013, dir. Spyke Jonze) acontece num futuro – não tão distante – onde a tecnologia está largamente avançada e apresenta-nos a história de Theodore (Joaquin Phoenix), escritor solitário recentemente divorciado e Samantha, o primeiro Sistema Operativo (OS) do mercado dotado de inteligência artificial com consciência própria e capacidade de aprendizagem.

Theodore e Samantha desenvolvem uma relação amorosa que acaba por esbarrar num duplo obstáculo: ela, não possui corpo sendo a linguagem a única forma de comunicação com Theodore; ele, por seu lado, é incapaz de corresponder à complexificação da personalidade de um OS em constante aprendizagem e upgrade, por força da sua condição humana.

A narrativa do filme passa pela realidade dos sentimentos vividos pelo casal e foca a problemática da imersão do digital na vida contemporânea. A personagem de Samantha é construída de forma aparentemente humana e as discussões do casal confudem-se com as de qualquer casal humano do século XXI, envolvendo questões sobre as formas de expressão dos seus sentimentos.

It’s like I’m reading a book… and it’s a book I deeply love. But I’m reading it slowly now. So the words are really far apart and the spaces between the words are almost infinite. I can still feel you… and the words of our story… but it’s in this endless space between the words that I’m finding myself now. It’s a place that’s not of the physical world. It’s where everything else is that I didn’t even know existed. I love you so much. But this is where I am now. And this is who I am now. And I need you to let me go. As much as I want to, I can’t live in your book any more.

A naturalização dos sentimentos como expressão humana que se revela por manifestações corporais torna-se na trama principal do filme quando este apresenta a relação entre um homem e um Sistema Operacional, que consiste numa criação por si própria humana mas codificada a partir de algoritmos.

Esta virtualidade da relação de Theodore e Samantha coloca em foco o problema da construção imaginária em relacionamentos afetivos, dando especial importância ao trabalho mental na absorção e desenvolvimentos de sentimentos que permitem definir socialmente a conceção de relação amorosa.

Artigos criados 44

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Artigos relacionados

Digite acima o seu termo de pesquisa e prima Enter para pesquisar. Prima ESC para cancelar.

Voltar ao topo