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flatsound: o meu quarto é o meu palco

1995. Em plena época de ascensão da britpop como oposição à morte do grunge norte-americano, os Oasis, de Manchester, compunham um dos seus singles que se tornou uma referência da música britânica na viragem de século – em Don’t Look Back in Anger, canção que evoca um espírito de resistência, no verso que antecede o refrão, Noel Gallagher canta «I’m gonna start a revolution from my bed».

Mitch Welling, inspirado por esse espírito de “faz tu mesmo”, começa a sua ”revolução” a partir do seu quarto quando em 2007 decide criar um website de forma a partilhar os seus poemas. O modo de partilha de Mitch funcionara praticamente como um diário. O seu quarto era não só o seu confessionário, como o espaço de performance. Performance essa que nasceu quando decidiu pegar na sua guitarra, no sintetizador e no computador para produzir e gravar música. Na verdade, a composição já estaria escrita porque a maior parte dos poemas que Mitch escrevera, tornaram-se cantados.

Desde 2012 que partilha a sua música de forma independente em plataformas como o Tumblr ou o Soundcloud.

it all started with closed eyes

and a feeling in my gut telling me i need to keep them shut the whole time

because they opened even for a second and i saw your lips

they’d suck me in like black holes when they bend light

and it was then i realized you were not my world

you were my universe

[flatsound, you said okay]

Em You Said Okay (video acima), primeiro grande sucesso de Mitch — ou Flatsound, dá-se uma energia etérea. Por trás do som lo-fi rock a puxar para o shoegaze com reverbs sem perder a conta, Mitch confessa-nos a sua narrativa existencialista sem esquecer um tipo de discurso direto que nos transporta para a vida de qualquer um de nós. Talvez no silêncio também temos alguém a quem queiramos chamar floco de neve – referência à ultima estrofe do poema.

É fácil sentirmo-nos em casa com a música de Mitch Welling.

Esta poderia ser uma fácil analogia. Todo o processo de produção do seu trabalho é feito no seu próprio quarto, fazendo quase como se Mitch nos convidasse para um concerto intimísta pela manhã, após acordar, mesmo ao lado da sua cama. Mas a composição de Mitch é mais que o seu próprio quarto. É um espaço honesto e aberto, de discussão e expressão sobre assuntos relacionados com a saúde mental, assuntos sobre os quais fala com propriedade.

A sua música funciona como um canal de divulgação e expressão colocando a importância do sentido estético ou musical em segundo plano. O principal objetivo de Flatsound é expor a sua vulnerabilidade através de forma lírica, criando narrativas discursivas sobre relações, solidão, amor, memórias e outros tipos de sentimentos. No entanto, quando as palavras soam ao mesmo tempo que um riff de guitarra, cria-se uma harmonia etérea que faz rodar a engrenagem da catarse de Mitch.

 

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