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neil hilborn: terapia a papel e caneta

Diagnosticado em criança com um Transtorno Obssessivo-Compulsivo e em adolescente com um transtorno bipolar, Neil Hilborn conta com mais de 13 milhões de visualizações no Youtube do seu poema OCD, que retrata a realidade de viver numa relação com alguém que sofre distúrbios de saúde mental, sendo por isso um dos poetas de performance mais conhecidos de todo o mundo.

When you have Obsessive Compulsive Disorder,
you don’t really get quiet moments.

Even in bed, I’m thinking:
Did I lock the doors? Yes.
Did I wash my hands? Yes.
Did I lock the doors? Yes.
Did I wash my hands? Yes.

 

Em entrevista ao The Independent, Neil aborda questões relacionadas com a primeira vez que apresentou um poema em público, a sua experiência com os seus fãs e admiradores da sua obra e como escrever é uma tarefa terapêutica, capaz de afastar todos os pensamentos que o sufocam.

O poeta de 27 anos de Houston, no Texas (EUA), conta que não se recorda muito bem da sua primeira performance, mas que estava bastante nervoso antes de entrar em palco. Não por causa dos problemas que condicionam o seu comportamento social desde a infância, mas sim porque o poema que Neil iria apresentar seria para uma amiga de que gostava e não tinha a coragem de o expressar diretamente, ”mas nunca poderia correr bem, o poema só falava de esqueletos e bicicletas”.

Questionado sobre o porquê de OCD ser tão popular, Neil partilha que se apercebe que a maior parte dos seus admiradores nunca tiveram qualquer experiência com um Transtorno Obsessivo Compulsivo, mas admiram a sua coragem por partilhar a sua história de uma forma honesta e sincera os seus medos e ansiedades com o mundo, não de forma a romantizar a doença, mas sim como uma mensagem de esperança para o futuro.

Escrever OCD tornou-se terapêutico para Neil. Um género de catarse. Quando escreve, está a libertar o seu estado interior para o exterior de forma a ter uma perspetiva diferente sobre determinados assuntos; se eles estiverem expostos numa folha de papel, é muito mais fácil analisar todas as circunstâncias e todos os pormenores. Se for capaz de fazê-lo, torna-se algo produtivo e sustentável.

Ao escrever, tenho dois processos distintos: o primeiro vem sempre de um momento de inspiração. Normalmente acontece quando estou a caminhar, a andar de bicicleta ou antes de dormir. Surgem-me umas palavras na cabeça que tenho imediatamente de escrevê-las e a partir daí todo o poema se desenrola, no entanto nunca confio bem em momentos de inspiração, gosto muito mais de algo metódico: todos os dias sento-me no meu escritório a trabalhar e a partir da leitura, ou ouvir música, ou até olhar para um desenho, surgem-me ideias para escrever um poema completo. Muitas das vezes apago o que escrevo, mas há sempre ideias que ficam para um futuro poema.

Para Neil, a poesia é a sua forma de arte de eleição. Um poema conta a história da forma mais artística e sucinta possível e é isso que a arte faz: apaga tudo o que é o background exterior e coloca em primeiro plano as emoções sobre forma de palavras.

No entanto, Neil não se considera um psicólogo. A experiência que adquiriu sobre como lidar com um transtorno mental, deriva do facto de ele próprio ser uma causa dessa doença, mas aconselha a todos a escrita. É a forma mais barata de se fazer arte, tudo o que é preciso é um papel e caneta. O resto vem da alma.

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