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mac miller: a música como resposta à vida

Hoje foi notícia que morreu Mac Miller.

Mac Miller foi um rapper norte-americano, tinha 26 anos e acabara de lançar no passado mês um novo álbum – Swimming, que até hoje não conhecia, apesar de conhecer outros trabalhos dele no passado.

Utilizo o nome Mac Miller como podia usar um Kurt Cobain ou um Ian Curtis, o propósito seria o mesmo, mas dada a proximidade temporal do que aconteceu e do que escrevi, pareceu-me adequado, também em jeito de homenagem.

Aqui a minha intenção não é fazer uma interpretação lírica a toda a obra dele. Aliás, a interpretação é livre a todos e como livre que é, pode ser também injusta e desonesta.

O meu objetivo passa somente por exemplificar como uma obra pode ser o reflexo do que se passa na mente. Pode parecer uma redundância, mas penso que muitas das vezes é quase um dado adquirido para a maioria das pessoas que alguém faz música, escreve, pinta, realiza, produz, só com o intuito de vender, sem correr o risco de se expor, a si e à sua vida.

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Self-Care foi um dos primeiros singles do seu novo álbum (vídeo acima). Neste, aparece o rapper dentro de um caixão enquanto parece que procura algo, ao mesmo tempo que tenta descobrir uma solução para sair.

Na altura em que se consegue libertar, coincidentemente a letra diz: I remember, yes I remember, yes I remember it all, Swear the height be too tall so like September I fall.

O vídeo acaba num fundo branco, com explosões e Mac Miller como que a flutuar, dizendo: I got all the time in the world, so for now I’m just chilling. Plus, I know it’s a, it’s a beautiful feeling, in oblivion.

Quando há pouco mais de uma semana fiz um post sobre a produção artística como reflexo da vida moderna, pouco imaginei que uma semana após – hoje – iria voltar a
falar do mesmo assunto, no entanto, esquecendo a ciência e a teoria por uma vez.

Nesse post desenhei um gráfico que tentava expor um mecanismo de produção artística como causa da Vida vivida. Para exemplificar, usei uma citação de Pessoa, do seu Livro do Desassossego: « a Arte, que mora na mesma rua que a Vida, porém num lugar diferente, a Arte que alivia da vida sem aliviar de viver, que é tão monótona como a mesma vida, mas só em lugar diferente.», como reforço do que queria transmitir no que escrevi.

O meu argumento principal é de que, e não esquecendo que existem exceções, a criação artística é a legitimação da intenção de transformar uma parte do que se viveu, noutro corpo físico, algo palpável. As vivências são o primeiro instrumento; a caneta, o papel, o microfone, a máquina fotográfica, a tela (…) não são só meros parafusos na engrenagem, como também veículos de transmissão.

Muitas vezes, a atenção que se poder dar a essa metamorfose do que é vivido, em criação artística recreativa ou independente, poderá ser um salva-vidas. Pois quiçá os poemas, os traços no desenho, os solos de guitarra, um plano fotográfico podem dar a voz a quem não a consegue expressar.

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