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a modernidade, por simmel e bauman

Os estudos da modernidade apresentam-se como um esforço reflexivo das rápidas e efémeras transformações da realidade contemporânea social.

Os discursos antropológicos e sociológicos, sigam o tipo de abordagem teórico-metodológica que seguirem, abordam o fenómeno social contemporâneo como uma era em transformação que emerge no presente e, coincidentemente, dá pistas para uma ideia de futuro. O presente, esse, é vivido subitamente e praticamente inexperenciado.

De facto, as ciências sociais não possuem mecanismos de adivinhação futura, porém assumem-se como importantes instrumentos de compreensão, aprendizagem e conhecimento sobre um tempo em radicais mutações que transcende uma linha cada vez mais ténue entre um passado fixo e maciço e um futuro instável e, cunhando a expressão de Zygmunt Bauman, líquido.

Zygmunt Bauman (1999), sociólogo polaco, teorizou o conceito de modernidade líquida, afirmando que a modernidade é um periodo histórico marcado pela incerteza e perda de sentido dos antigos valores que regiam os indivíduos.

Esse fenómeno dissociativo coloca, figurativamente, o indivíduo à deriva, sendo a sua tarefa a procura de novas identidades discursivas, simbólicas, sociais e culturais. Tal traduz-se num esforço de seguir a vida moderna para onde ela vai; o indivíduo é um participante ausente da modernidade, a sua identidade individual é enterrada e as dinâmicas globais emergem.

Na verdade, o raciocínio anteriormente abordado faz lembrar a abordagem simmeliana à sociedade moderna.

George Simmel, sociólogo alemão, afirma a Metrópole como o palco das relações dos novos tempos onde se dá o grande exercício do individualismo, a cidade atribui tolerância ao indivíduo de ser um outro no meios dos outros. No entanto, essa multiplicidade de hipóteses, tem como consequência, segundo Simmel, a impessoalidade.

Na velocidade da vida urbana, perde-se a essência da individualidade. É como que, no meio de tantas hipóteses identitárias, o significado das mesmas se tornassem relativas, banais aos olhos de cada um. De facto, essa atitude de indiferença foi nomeada pelo autor alemão como atitude blasè, diz respeito à incapacidade do indíviduo responder à diferença por ter sido bombardeado por diferentes estímulos ao longo da sua vivência na cidade:

“Os mesmos fatores que assim redundaram na exatidão e precisão minuciosa da forma de vida redundaram também numa estrutura da mais alta impessoalidade. (…) Não há talvez fenómeno psíquico que tenha sido tão incondicionalmente reservado à metrópole quanto a atitude ‘blasé’. (…)
Surge assim a incapacidade de reagir a novas sensações com a energia apropriada’’. — Simmel, 1987:16.

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